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30 março 2012 11h37
O É Tudo Verdade – 17º Festival Internacional de Documentários celebra nessa edição a obra de Eduardo Coutinho. A Retrospectiva Brasileira convida a uma revisita do período de formação do diretor como documentarista. “Coutinho – O Caminho até Cabra” apresenta sete títulos e dois debates – um em São Paulo e outro no Rio - com a participação do cineasta e colaboradores essenciais para a realização de Cabra Marcado para Morrer (1984) e para seu presente restauro pela Cinemateca Brasileira.
Amanhã, sábado, 31/03, haverá a primeira sessão, em São Paulo, de Cabra Marcado para Morrer, às 14h. A entrada é gratuita e os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes da sessão.
“Depois de um longo período fora de circulação pela ausência de cópias em bom estado, o restauro digital de Cabra pela Cinemateca Brasileira devolve-nos o filme com o mesmo viço de sua retumbante estreia no Brasil do ocaso da ditadura militar. Não haveria melhor oportunidade para reexaminar a própria obra e o processo de formação do Coutinho documentarista até a cristalização de seu primeiro clássico”, reflete Amir Labaki, fundador e diretor do É Tudo Verdade.
Os filmes que integram a Retrospectiva seguem abaixo.
RETROSPECTIVA BRASILEIRA
Coutinho: O Caminho até “Cabra”
Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho (Brasil, 119 min). 1984
Em 1964, o golpe militar interrompe na Paraíba as filmagens por Eduardo Coutinho de um longa ficcional sobre o assassinato de um líder das Ligas Camponesas, João Pedro Teixeira. Vinte anos se passaram até que Coutinho, agora documentarista, revisite os negativos preservados e reconstitua o destino da família Teixeira durante o regime militar.
Coutinho Repórter, de Rená Tardin. (Brasil, 45 min). 2010
Um dos mais importantes documentaristas do país, autor de Edifício Master e Jogo de Cena, Coutinho passou nove anos no programa Globo Repórter. Em plena ditadura, forjou um estilo e realizou obras de empenho social que, na época, a censura impedia o cinema de concretizar.
Crônica de um Verão, de Jean Rouch e Edgar Morin. (França, 85 min). 1959
Em Paris, no verão de 1960, o cineasta e etnólogo Jean Rouch e o sociólogo Edgar Morin interrogam transeuntes, operários, estudantes e alguns casais sobre as motivações que movem sua vida e se são felizes, registrando suas dúvidas, emoções e opiniões sobre racismo e política.
Exu, Uma Tragédia Sertaneja, de Eduardo Coutinho. (Brasil, 39 min). 1979
A rivalidade entre as famílias Alencar e Sampaio provocou, ao longo de décadas, inúmeros assassinatos na cidade de Exu (PE). O documentário examina não só a crônica dessas mortes como a falta de perspectivas econômicas do local, onde só não faltava trabalho para os pistoleiros.
O Pistoleiro da Serra Talhada, de Eduardo Coutinho (Brasil). 1976
Documentário produzido para o programa Globo Repórter sobre o banditismo no Nordeste, tendo como centro a cidade de Serra Talhada (SE), terra do lendário Lampião (1898-1938), tido como o rei do cangaço.
Seis Dias de Ouricuri, de Eduardo Coutinho (Brasil, 41 min). 1976
O foco recai sobre uma grande seca em Ouricuri, no sertão de Araripe (PE) que, apesar de estar levando a miséria, a fome e o desespero aos moradores da região, é considerada apenas “uma estiagem prolongada” pelas autoridades locais.
Theodorico – O Imperador do Sertão, de Eduardo Coutinho. (Brasil, 49 min). 1978
Dando a palavra ao “major” Teodorico Bezerra, expõe-se a visão de mundo de um típico representante da aristocracia rural nordestina, exercendo um poder quase absoluto sobre um verdadeiro feudo no sertão do Rio Grande do Norte, em que seus subordinados devem submeter-se às suas leis.
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