24 agosto 2011 17h09 - Atualizado em 14 setembro 2011 17h32

Paulo Morelli lança, em 14 de junho seu mais novo projeto. Não se trata, no entanto, de um longa metragem chegando nos cinemas - Morelli é realizador de Cidade dos Homens, Viva Voz e O Preço da Paz e sócio da O2 Filmes (produtora dos longas Cidade de Deus, Blindness - ambos dirigidos por Fernando Meirelles, além de Não por Acaso, À Deriva, Lixo Extraordinário, VIPs e Xingu, esse último, de Cao Hamburger, ainda inédito).


Depois de três anos de desenvolvimento junto a três programadores de software, Morelli,  que é formado em arquitetura, apresenta ao mercado o STORY TOUCH. Trata-se de um software completo de desenvolvimento dramático em que é possível escrever e analisar o roteiro ao mesmo tempo. O programa não julga o “certo” e o “errado” simplesmente porque não há essa categorização em dramaturgia. O que ele faz é, em linhas muito gerais, organizar a cabeça do roteirista, que geralmente trabalha de maneira que podemos chamar de caos criativo.


E esse auxílio é possível pelo fato de o STORY TOUCH dar concretude às impressões e sensações do próprio autor. Através de uma imagem – um gráfico, por exemplo – ele traduz as impressões subjetivas e sensações do escritor. O que era uma impressão difusa ou mesmo uma intuição de quem escreve é mostrada de maneira clara. Ou seja, o software não faz análises pura e simplesmente; ele capta as apreciações do próprio autor e as apresenta através de imagens.

 
Morelli define o STORY TOUCH como o “final cut” do roteiro. “É como se fosse mesmo uma partitura. Em primeiro lugar, é muito fácil ‘navegar’ pelo roteiro e perceber visualmente os tamanhos das cenas (e portanto o ritmo da história). Além disso, você tem diversas opções de recorte e análise da dramaturgia. Mas é importante deixar claro que o STORY TOUCH não tem a pretensão de ensinar ninguém a escrever um bom roteiro. Como o próprio nome diz, ‘Ferramentas de Dramaturgia’, o STORY TOUCH é apenas uma ferramenta para se analisar a dramaturgia de um roteiro”.


Fernando Meirelles, sócio de Morelli na O2 Filmes, completa: “O STORY TOUCH permite ao roteirista ter uma noção clara do nível de gordura, de açúcar, de sal ou de hormônios em sua história. Poder visualizar graficamente um roteiro completo em apenas uma página certamente revelará muitos aspectos escondidos ao autor".


Fazendo uso do software
Serão lançadas quatro versões; uma delas será totalmente gratuita. O download poderá ser feito a partir de junho, através do site www.storytouch.com.


O que as diferencia é o nível de sofisticação de determinadas seções. Por exemplo, para quem tem o modelo mais completo, será possível criar ilimitados objetivos / obstáculos para seus personagens. Já para quem está trabalhando com a versão mais simples será possível fazer esse acompanhamento de um único objetivo / obstáculo. Além disso, os modelos mais avançados permitem escrever comentários (modelo Analista) ou ver tabelas com o resumo das cenas (modelo TOP).


Pelo site também é possível ter acesso a diversos vídeos tutoriais que vão auxiliar o usuário a utilizar essa nova ferramenta. Constam no site: Tutorial 1 (Importar Roteiro e Janela de Cenas); Tutorial 2 (Valores e Emoções); Tutorial 3 (Personagens); Tutorial 4 (Estrutura); Tutorial 5 (Tom e Ritmo); Tutorial 6 (Editor de Texto e Cenas em Branco); Tutorial 7 (Outras Visões).

 
Há ainda dois exemplos que podem ser baixados: estão lá os roteiros de Cidade de Deus (Bráulio Mantovani) e de Hamlet (William Shakespeare). É possível, através desses arquivos, entender melhor como o STORY TOUCH trabalha.


O que esse novo software também promove é um dimensionamento real da história. Através dele, o autor pode perceber o quão dramática é determinada cena e o que ela representa dentro da história como um todo. O usuário elenca exatamente qual trecho quer ter analisado pelo sistema. E, através dele, consegue visualizar curvas dramáticas e ver se há harmonia com o restante do texto, por meio de gráficos e tabelas.


São analisados os seguintes tópicos:
Macro Estrutura – é possível lançar os principais eventos dramáticos de uma história, como pontos de virada, dilema, clímax.

 
Personagens – todos os personagens com fala são detectados automaticamente; os cinco com maior participação são categorizados como principais. Há ainda os secundários e extras. Há uma cor para cada um deles e eles podem ser classificados com valor de 1 a 10, de acordo com sua importância na cena.
Emoções – seguem-se as emoções dos personagens no decorrer de toda a trama, como tristeza, solidão e alegria. No caso de Hamlet, por exemplo, estão colocadas ali loucura, vingança, fingimento e sinceridade. Há uma cor para cada uma delas e diferentes graduações, de acordo com a intensidade da cena.
Valores – acompanha os valores apresentados na história e como eles são percebidos ao longo na narrativa, como traição / lealdade, fingimento / sinceridade.

 
Objetivo / Obstáculo – define-se quais são os objetivos do personagem e é possível acompanhar a trajetória dele em sua busca.

 
Plantar / Colher (Setup / Payoff) – permite acompanhar a costura da história, deixando evidente como algumas cenas se relacionam.


Janela das Cenas – vê-se o roteiro todo numa única janela. É possível navegar por atos, sequências e cenas.
Tom e Ritmo – é possível acompanhar com precisão o tom do roteiro (como sombrio ou leve) e o ritmo (como lento ou rápido). No modelo que está disponível no Story Touch pontua-se uma cena de ritmo acelerado e outra mais lenta, em Cidade de Deus.

 
Página ou Tempo – aqui é dada a opção de se visualizar a história por páginas (em 1/8 de página) ou por tempo, através de uma estimativa. Essa ferramenta é muito útil durante a criação de uma nova história, momento no qual cada cena é ainda apenas um parágrafo, uma ideia. Nesse estágio, usa-se o tempo estimado da cena (um parágrafo pode se transformar numa cena de vários minutos), e com isso, o escritor pode ter uma noção mais clara da dimensão da sua história.


Paulo Morelli
Paulo Morelli nasceu em São Paulo. Nos anos 80, criou a produtora Olhar Eletrônico, referência na produção independente. Nos anos 90, junto com Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro, abriu a O2 Filmes.
 
Depois de fazer comerciais e programas de TV, começou a fazer curtas e longas-metragens. Seu primeiro curta, Lápide, ganhou o prêmio de melhor filme nos festivais de Havana, Los Angeles, Rio e São Paulo. Entre 99 e 2002, dirigiu dois longas: O Preço da Paz (Melhor Filme, Júri Popular do Festival de Gramado em 2003) e Viva Voz (Melhor Filme Internacional no New York Independent Film Festival).
 
Para a TV, Paulo esteve à frente das séries Ética, exibida na TV Cultura, com os maiores pensadores brasileiros. Dirigiu e escreveu quatro episódios para Cidade dos Homens, série exibida na rede Globo por quatro temporadas. Em 2004 foi o diretor geral da série, com o objetivo de plantar os temas que seriam desenvolvidos no longa metragem de mesmo nome.
 
Em 2006, Paulo filmou Cidade dos Homens. Lançado em 2007, o filme participou do London Film Festival e foi exibido na Berlinale – Mostra Generation do Festival de Berlim. Cidade dos Homens foi distribuído nos EUA pela Miramax.
 
Entre 2008 e 2010, Paulo desenvolveu 8 novos roteiros de longa-metragem, focados em vários aspectos da cultura brasileira. 
 
 
O2 Filmes
No mercado desde 1991, a O2 Filmes é hoje considerada uma das mais criativas e importantes produtoras brasileiras no mercado mundial, realizando projetos independentes e em parceria com grandes estúdios internacionais e emissoras de televisão. Durante sua trajetória, realizou cerca de 9.000 peças publicitárias e conquistou diversos prêmios, como Cannes Lions, Clio Awards, e é a maior vencedora do Prêmio Profissionais do Ano, promovido pela Rede Globo.


Também encabeçou projetos pioneiros para novas mídias, como a primeira websérie nacional para internet, O Que Que É Isso? para a Locaweb, que registrou um recorde de acessos no mercado brasileiro.
Para o cinema, produziu nove curtas e nove longas-metragens, entre eles o premiado Cidade de Deus (2002) – citado recentemente pelo site IMDB como um dos cinco melhores filmes da década – e o consagrado Ensaio Sobre a Cegueira (2008), ambos dirigidos por Fernando Meirelles. Em 2009, apresentou À Deriva que foi exibido no Festival de Cannes e filmou VIPs, longa de Toniko Melo, lançado em março último. Para a TV, realizou séries para a Rede Globo; a mais recente é Som & Fúria, uma adaptação da série canadense Slings and Arrows, e Filhos do Carnaval para HBO, que estreou a segunda temporada em outubro de 2009.

assessoria de imprensa