Lugar Nenhum na África, filme da diretora Caroline Link que conquistou o Oscar de Melhor Produção Estrangeira de 2003, é baseado em livro de memórias, de mesmo nome, escrito por Stephanie Zweig.
E, assim como o livro, um best-seller, o filme bateu recorde de bilheteria em seu país de origem, a Alemanha, e ainda ganhou cinco German Film Awards, incluindo as categorias de melhor filme e melhor diretor.
Caroline apresenta a história de uma família judia alemã que, às vésperas do Holocausto e dos horrores da Segunda Guerra Mundial, foge para o Kênia.
A diretora diz que o destino da família foi um dos pontos que mais lhe chamou a atenção no livro. “Atualmente, os alemães sabem que os judeus foram para a Inglaterra ou Estados Unidos, mas não sabem realmente que eles viajaram para lugares tão distantes como a África, Shanghai e Peru”, revela.
O casal e a filha pequena – Walter, Jettel e Regina Redlich - ficam, por um período de sete anos, tentando entender e entrar naquela nova realidade, mas o desencaixe do grupo é notório. “O mundo deles desaba depois que a vida convencional - que funcionava tão bem – pára de existir. Eles têm que encontrar alguma coisa nova em comum porque as antigas, e que faziam parte da vida deles, não estão mais ali”, completa a diretora.
E, além das surpresas da vida nova, os três têm ainda que enfrentar as manifestações de racismo que percebem entre eles. Dessa maneira, a fuga da Alemanha por discriminação estava sendo, de certa forma, reproduzida às avessas.
A estabilidade do casal fica extremamente comprometida e Regina, a filha que estabelece relação entre os dois universos nutrindo diversas amizades, se vê dividida entre o sol e a ternura da comunidade africana e o que lhe é quase um desconhecido, o mundo alemão.